Aprende a desenvolver

2.2.2. Experiência precoce

 

Há muito que os psicólogos têm reconhecido a importância da experiência precoce no crescimento emocional. No entanto, foi apenas neste século que começamos a perceber a sua importância, e a interpretar as múltiplas formas de experiências precoces que nos afectam psicológica e fisicamente.

Freud referiu, no final do século passado, que o desenvolvimento da personalidade era fruto das diferentes experiências precoces vividas na infância.

O tempo, é um factor muito importante para o desenvolvimento da criança e deve ser gerido, não iniciando experiências cedo demais, nem tarde demais, pois assim, não ocorrerá aprendizagem.

 Nancy Bayley iniciou um estudo a longo prazo juntamente com os seus colegas da Universidade da Califórnia, sobre o crescimento e o desenvolvimento humano.  

Concluíram as seguintes observações específicas:

-Os QI não são constantes. O QI varia consideravelmente durante longos períodos de tempo, ou seja o QI é o resultado das condições do meio, pois é uma propriedade humana em constante mudança.

- A variabilidade do QI é maior durante os primeiros anos de vida. O equilíbrio do QI é proporcional à idade da criança.

- A capacidade intelectual pode continuar a crescer durante a vida. A aptidão mental continua a crescer pelo menos até aos cinquenta anos de vida, sendo a inteligência adulta estimulada pelo meio.

- As componentes do intelecto mudam com o nível etário. O progresso intelectual na infância ocorre em estádios qualitativamente diferentes.

 

Benjamin Bloom analisou todos os estudos sobre o crescimento intelectual. Assim, observou que com o aumento da idade, existe um decréscimo do efeito positivo que um ambiente apropriado tem na criança. Beneficiam muito mais de experiências enriquecedoras crianças de três anos, do que de sete anos. É essencial que ocorram experiências favoráveis ajudando assim o desenvolvimento cognitivo. Basicamente, dois terços da capacidade cognitiva máxima está formada aos seis anos de idade, portanto é necessária uma intervenção mais precoce de experiências.

Assim sendo, Benjamin Bloom concluiu que não além da falta de um meio ambiente enriquecedor impede o desenvolvimento intelectual da criança, como também a tardia estimulação de experiências, sendo impossível compensar posteriormente.

 

Outro autor, J. McV. Hunt, chegou à conclusão que a privação precoce de estímulos é mais devastadora para o desenvolvimento motor normal, do que a privação motora precoce, além de prejudicar o desenvolvimento intelectual.

Wayne Dennis, fez um estudo, em que as crianças eram mantidas em condições de isolamento extremo, isto é, dentro de um cubículo branco separado e aprova de som. O resultado mostrou que grande parte das crianças apresentava atrasos mentais, apesar de serem descendentes de famílias com alguns estudos. Estas crianças, além de estarem completamente livre de movimentos, também mostravam atraso físico.

Hunt refere que o mais importante para o desenvolvimento intelectual de uma criança é a variedade de estímulos. No entanto, refere que a criança deve ser exposta a uma variedade de estímulos ajustada ao seu crescimento, manifestando assim alegria e vontade de aprender, ajudando ao crescimento cognitivo contínuo. Afirma que a inteligência não é fixa, mas sim é desenvolvida através da variedade de estímulos.  

 

Jean Piaget, também estudou o desenvolvimento humano, especificamente o desenvolvimento de formação de conceitos, formulando uma teoria acerca de como as crianças os aprendem a formar. Afirma que as crianças só podem formar conceitos, depois de terem passado por estádio de desenvolvimento que tem uma natureza sequencial. As crianças têm que têm que atingir determinado estádio, descobrir certas lógicas para poderem adquirir alguns conceitos.

Jerome Bruner, além de concordar com Piaget, acrescenta novos pormenores. Defende a ideia que a criança deve ser exposta a uma variedade de estímulos, a um meio em mudança, para que possa haver um desenvolvimento cognitivo apropriado. Apoia o trabalho fisiológico de alguns cientistas, defendendo que o organismo não pode receber toda a informação que o meio contém.

 

David Krech, realizou uma investigação muito apelativa, demonstrando que certas drogas podem aumentar a capacidade de aprendizagem do organismo e que outras substâncias (como a pemolina de magnésio), podem reter o que foi aprendido. O contrário também pode ser verdade, podendo assim, a manipulação do meio provocar mudanças químicas cerebrais.

Realizando um estudo com doze pares de ratos gémeos, distribuindo-os em dois grupos, e colocados em ambientes diferentes, um grupo num ambiente estimulante, podendo sair todos os dias 30 minutos da sua gaiola, enquanto o outro grupo num ambiente homogéneo, não podendo sair da gaiola. Analisando o cérebro dos animais ao fim de cerca de três meses, observou que o cérebro dos animais estimulados era química e estruturalmente diferente dos outros ratos irmãos, sendo o córtex mais volumoso, pesado e profundo. Krech provou assim que, o facto de proporcionar uma variedade de estímulos no inicio de vida destes animais, provocava mudanças no seu cérebro, aumentando a sua capacidade para aprender e resolver problemas.

 

O papel da Estimulação ambiental no desenvolvimento fisiológico

Como comprovou David Krech, é necessária a estimulação por parte do ambiente para que ocorra um desenvolvimento fisiológico apropriado. Alguns críticos defendem, que após o nascimento, nenhuma outra célula cerebral aparecerá, tornando-se o sistema nervoso central imutável. Contudo os estudos de Krech mostram precisamente o contrário.

Joseph Altman, desenvolveu uma importante investigação cimentando ainda mais o que Krech afirmava. Verificou que minúsculas células nervosas designadas microneurónios, desenvolvem-se no cérebro dos animais jovens após o nascimento, proporcionando interconexões com algumas das células maiores do cérebro. Com o aumento da prática, as estruturas físicas neuronais alteram-se, aumentando a probabilidade de poderem transmitir mensagens neuronais. Também se verificou que é necessário haver estimulação visual, pois se assim não for, os neurónios presentes na retina serão danificados, tendo assim o meio um papel importante.    

 

O berço de Skinner

B. F. Skinner, inventou um berço, com ar condicionado, temperatura controlada, livre de germes e á prova de som, que permitia ao bebé brincar sem roupa (a não ser a fralda) ou cobertores, contribuindo ainda para a saúde do bebé, pois tinha menos probabilidade de se constipar. Embora todos estes factores, permitiam bom conforto ao bebé, era um ambiente monótono em que a variedade de estímulos não existia, logo não era enriquecedora, fazendo com que não haja um desenvolvimento intelectual, adequado.

 

Ø Tomámos conhecimento numa das aulas, de um programa que consiste no desenvolvimento intelectual adequado das crianças, proporcionando-lhes uma grande variedade de experiências. Além de quase desde a sua concepção, este programa esteve destinado a falhar, tornou-se num grande sucesso, tendo sido comprovado que melhorias intelectuais nas crianças.

Aconselhámos a observarem e informarem-se acerca deste. Aqui vai o link para o verem: http://monterey.ca.schoolwebpages.com/education/dept/dept.php?sectionid=113

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